O ADMIRÁVEL CASO DE UMA FUNDAÇÃO PARA DESENVOLVIMENTO SOCIAL E CULTURAL (SOMBRAS DOS GESTOS DAS TIAS DO LOBO ANTUNES) QUE TRABALHANDO COM CENTENAS DE MILHÕES DE EUROS APENAS APLICAVA 2,5% PARA ISSO E AINDA AJUDAVA BANCOS (OU ENTÃO: O SURPREENDENTE CASO DOS BANCOS QUE QUERIAM COM FUNDAÇÕES TAPAR O CU ÀS ACÇÕES DAS SUAS IMPRÓPRIAS CONFRARIAS, TANTO FINANCEIRAS COMO EMPRESARIAIS)



ouvir a comissão parlamentar a Berardo, revela-se pouco mais de uma hora decorrida uma verdadeira mina a céu aberto, um raio-x tremendo como quem escancara a porta de um cofre: maravilhosos administradores da caixa bajuladíssimos por champaulimad, empresários de topo a promover negócios de faca cravada nas costas dos outros, decisões políticas que dizem respeito ao estado de todos, resolvidas e reunidas nas mãos das grandes empresas, das que mais do estado mamam e menos impostos pagam. Resumindo: o estado nas poucas mãos outras, ou deles descendentes, de barbudos tempos simbolicamente esfumados a partir de 74, mas que com o passar dos meses e dos anos foram sendo raspados até ao osso dos tempos que correm. Electricidades, saúdes, educações, construtoras, cimenteiras, cortiças, bancos confortáveis para os poucos que da sua sede, propagandísticos, vão fazendo e aliciando as tão tenrinhas massas, que pecam apenas por serem muito mais moldáveis do que estúpidas, como muita gente quer crer. A teia é vasta e a promiscuidade dissemina-se pelos meios que nos entram pelos olhos, hipnóticos e cada vez mais aprimorados. O pragmatismo dos fins tem destas coisas, de ténues linhas se tece a armadilha invisível. O que demonstra Joe neste primeiro quarto da audiência é o que ainda não fez as coisas chegar ao auge da acção: os bancos devem ser geridos para financiar e guardar dinheiro, e quem os gere deve ser auscultado com o olhar de todos cravado nos seus gestos. Devem ser transparentes como ar ou que fique bem claro: arder como um inferno. E no que a grandes empresas diz respeito, devem ser do estado, ponto. Só falta verdadeira vontade ou as pessoas certas para sanar toda a badalhoquice que vigora servente dos interesses das gerências a necessitar de limites. Criminalizar políticos, banqueiros, gestores, analistas financeiros, advogados que ajudem a beneficiar poucos para prejudicar os interesses de todos, e mudar a lei, actualizá-la de um modo ético, cagando nas leis internacionais pautadas lá como aqui, pelos chamados interesses da economia de mercado. Falhas na lei como a personalidade jurídica das empresas e o desligamento dos responsáveis destas por incumprimento, como acontece com Berardo mais todos os empresários que conheço incumpridores, garantias cachimbo de magritte, que não recaem sobre o património mas sobre os títulos deste, mais um exemplo da multiplicação do dinheiro que faz da economia uma enorme barafunda psicótica, das causas às respostas, passando pelas consequências, tudo isto tem de mudar. E assim se percebe porque vale tudo, quando levado à praça pública, como quem grita fogo para todos o repetiram até à estridência, tudo para denegrir a mais mínima ameaça, seja ela apenas muito fumo ou uma mera fogueira. Temos pois o Berardo, que nada tem de inocente, mas é sem dúvida uma bela carne para canhão. Quem sabe o engenheiro Sócrates, mas, acima de tudo, sem pôr as mãos no fogo que não por mim, para me queimar, o verdadeiro exemplo é o de Lula da Silva. A entrelinha de todas estas pontas desconexas diz respeito aos fios que giram e nos fazem girar, tudo em prol de um determinado interesse, ou melhor, de determinados e muitos interesses, que todos juntos fazem o todo, e a linha ténue que tem vindo a unir, cada vez mais simbiótica, a justiça dos tribunais à justiça de pelourinho mediático, queima assim poucos culpados para salvar os muitos que dançar melhor, pois claro.

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