"em uma sociedade governada por valores adstritos ao Trabalho (a América capitalista talvez seja mais completamente governada por esses valores do que a Rússia comunista), o gratuito não é mais encarado – a maior parte das culturas antigas pensava de outro modo – como sagrado, para o Homem Operário; o lazer deixou de ser sagrado, passou a ser só uma pausa no trabalho, um tempo para o relaxamento e os prazeres do consumo. Assim sendo, quando tal sociedade pensa no gratuito, caso o faça, é sempre para colocá-lo sob suspeita – artistas não trabalham, portanto provavelmente são uns parasitas preguiçosos; ou, na melhor das hipóteses, encara-o como trivialidade – escrever poesia ou pintar é um inócuo passatempo privado."

W. H. Auden, em O poeta & a cidade

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