Parábola ecológica


Imaginemos alguém muito, muito, muito gordo. Ou então um alcoólatra ou simplesmente um bêbado, ou uma bêbeda. Ou então… um toxicodependente. Ou um viciado em jogo, ou em postais, em lentilhas. Tudo exemplos que se cristalizam como símbolos de um consumo paradoxal e residualmente mais humano do que absoluta e instintivamente animal.

Para esse alguém deixar de comer, ou de beber, ou de se drogar, ou de jogar, ou de coleccionar – compulsividade demasiado humana – das duas, uma: ou se lhe corta na comida, no álcool, na droga, no jogo, nos postais e nas lentilhas, à força. Ou então, ele mesmo se decide por isso. Imaginemos então qu’esse alguém é a única pessoa no mundo, pois apenas depende de si para tomar as suas atitudes. No final de contas, limpo e macio como um cagalhão acabadinho de chegar ao mar, de uma maneira ou de outra, qual é de facto a modalidade de limpeza mais perlimpimpim?

Pois. As finalidades quando são as mesmas e resultam, são as duas óptimas. Mas quando se dispara, morre uma nuvem e a corrida começa, alguém terá que chegar primeiro, por muito que a competitividade seja uma coisa muito, muito feia.

A comida, o álcool, a droga, o jogo, os postais e as lentilhas ou ficam para outro alguém, ou ficam, pois, para ninguém. Quanto às nuvens, essas, tão depressa morrem como vagarosas nascem. Mas sempre de baixo para cima.

Olhava ele estupefacto para um grande pássaro, assombroso, e não via que ao lado dele mais uns quantos compunham todo aquele corpo como nunca visto. Uns eram as penas, outros eram as rodas. Mas eram todos sombra. Viviam à sombra de uma bananeira que dava morangos e dela, como estacas, colhiam figos.

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