O CÉU ENVENADO
Meus filhos, as chuvas deste outono
vão ser, outra vez, doces e amáveis.
Mas não vos molheis muito: ninguém sabe
o que se passa com os seus átomos feridos.
Pelos vistos, a palavra do futuro
num mundo feliz e livre, obriga
agora a este veneno nas vossas medulas.
Perdoem-nos, a mim e à vossa mãe,
que nos quisemos quando começavam já
a ocorrer estas coisas sobre a terra.
SENSATEZ
(…Porque, en amor, locura es lo sensato.)
A. M.
É inútil que teu e eu prediquemos
sensatez aos meninos. Adivinham
que não vivem por nada sério, senão
porque o poeta, esse, ainda estudante,
enamorou-se por uma rapariga inerme
e rebelde perante o mundo, sem projectos
deixando-se viver… E agora não somos
um bom exemplo; sem dúvida se nos nota
que aquele amor nos cresce de ano para ano,
e que se trabalhamos, bem formais,
é para defender a nossa paixão.
José Maria Valverde, em El Grupo Poetico de los Años 50
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