A economia que predominou durante o século XX teve origem em analogias e metáforas da mecânica clássica, da física da primeira metade do século XIX. A analogia com a mecânica tem a ver com a utilização da linguagem da física e com metáforas que representam a ideia de que nas transações de mercado ocorre uma troca de algo que pode ser definido como uma energia psíquica ou social. A estrutura analítica do paradigma dominante na economia é baseada na metáfora da conservação de energia. A metáfora da física pré-entropia ou mecânica, transposta para a economia, não afeta apenas o discurso, mas principalmente a estrutura e a substância da disciplina
Se do ponto de vista formal a economia não se separou da física do século XIX, a física moderna afastou-se da economia. A proximidade formal entre a economia e a física mecanicista não garantiu que o estudo do processo econômico fosse permeado pela atenção às relações biofísicas com seu entorno. Ao contrário, o paradigma mecânico na economia teve como importante sintoma o não reconhecimento dos fluxos de matéria e energia que entram e saem do processo econômico, e muito menos o reconhecimento da diferença qualitativa entre o que entra e o que sai nesse processo.
Andrei Domingues Cechin, em A natureza como limite da economia: acontribuição de Georgescu-Roegen
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