REGRAS DO ESQUECIMENTONão esqueças sobretudo a armadurada noite,a aspereza das estrelasquando os olhos são recentese a gravitação é como um podersucinto nas mãos.Não esqueças sobretudo como os cereaislavram os campos estafados, destilamprodígio pelos sulcos da memória,oferecem-te uma vida maiorem troca do saldas pálpebras.Não esqueças sobretudo de olhar devagar.
ETERNO OUTONOEstou com a idade pousada nas mãos.Explico-me com dedicação aos berços fundosonde cada coisa dorme o seu medo de morrer.Há na tristeza um perigo de terminar:o eterno outono parece beloa quem perdeu todas as sementes.Pergunta-se um nome e ninguém responde.Onde fica essa ilha a que só chegamos por naufrágio?
Vasco Gato, em Imo
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