Há
nisto do viver, ou de
sobreviver,
algo que faz de nós,
ruminantes,
o terreno baldio
onde
crescem ervas
que
são afinal comestíveis.
O
desalento, como tufos verdejantes,
é
apenas mera sombra
de
uma esperança parasitária.
Quanto
mais nos limitam os gestos
mais
propício o ensejo de mastigar e cuspir
na
face, nunca no focinho.
Esquecer
isto,
fazer
da linguagem o artifício de uma lâmina
carregada
de ferrugem,
cordel
cravado dentro do umbigo,
deixa
na boca a persistência do cotão
e
no silêncio comparticipante
o
avesso de uma terra sem raízes.
Viver
é lembrar os vivos,
mesmo
não lhes dirigindo a voz aos pés.
Apenas
o cuspo que goteja.
Crescem
ervas entre papoilas e japoneiras,
de
flores (casca de banana) de poetas,
escorregadias,
e permanecendo estas sem nome,
certeiras,
querem apenas abalroar
gigantes
gestos viscerais sem escrúpulos.
Esquecer
e lembrar. A língua,
transubstanciada
afta
sobre
a submissão ferida dos dedos,
enquanto
afecção, artifício afectante.
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