Tio Georg*

Clarividente desde o princípio, a sua paixão precoce terá sido desmascarar os seus. Ainda em pequeno já ele os espreitava e lhes punha diante dos olhos as suas vilezas.

Thomas Bernhard, em Extinção

*este tio, diriam os espanhóis, vive ainda, no entanto, dos juros de rendimento praticados pelos bancos e das viagens, esse fenómeno tão actual quanto o dandismo. São personagens como estes, tão verosímeis e contraditórios como todos nós, a carne e osso, que fazem da realidade uma ficção de chorar por mais. E a realidade continua por decreto ficcional, pois claro.

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