O curriculum vitae de uma elite, elevado a paradigma, é praticamente inalcançável, não obstante serve de matriz para as próximas gerações, que não podem ignorá-lo, obrigando-as a exercícios miméticos.
Nesses exercícios a figura do treinador é indispensável. Sloterdijk identifica cinco tipos de treinadores espirituais que tentam, a princípio, mostrar que caminhos surreais e aparentemente impossíveis são realizáveis. Eles são: o guru da tradição bramânica-hinduísta, o mestre da doutrina budista de iluminação, o apóstolo ou abade como imitadores de Cristo, o filósofo na condição de testemunha da busca da verdade e o sofista como mestre da arte de viver. Além disso, surgiram treinadores e instrutores de cunho mais pragmático ou artístico, que perderam sua santidade porque já passaram pela estandardização e popularização. Eles são mestres de uma profissão artesanal, professores acadêmicos, professores comuns e escritores, dedicados à causa do esclarecimento, ou, como no caso do atletismo futebolístico, “técnicos” mesmo. Sloterdijk atribui aos exercícios monásticos, sob orientação de um “apóstolo”, e à orientação dos aprendizes pelos mestres de diversas profissões artesanais o papel que Max Weber atribuiu à ética protestante: de ser o fator principal e responsável pelo deslanchamento da economia capitalista.
Franz J. Brüseke, em Uma vida de exercícios: a antropotécnicade Peter Sloterdijk
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário